Nesta página vais perceber qual destes produtos faz mais sentido para o teu caso: CTPV para objetivos a 5 anos, CTPC para quem já tem posições antigas e Certificados de Aforro para quem valoriza liquidez. Estão explicadas as diferenças reais em prazo, resgate, juros e imposto, com exemplos simples para comparar cenários.
O que é
Guia completo sobre os três produtos de poupança do Estado português: CTPV, CTPC e Certificados de Aforro. Inclui comparação com depósitos a prazo.
O que aprendes
Como funciona o CTPV, as diferenças para os CTPC e CA, a tributação de 28% na fonte, e quando faz sentido resgatar antecipadamente.
O que podes fazer
Comparar os produtos de forma prática e perceber qual se ajusta melhor ao teu prazo e liquidez. Para subscrever o CTPV, aceder ao AforroNet ou ao balcão dos CTT.
Os produtos de aforro do Estado
O IGCP (Instituto de Gestão do Crédito Público) emite três produtos de poupança destinados exclusivamente a particulares residentes em Portugal: o CTPV, o CTPC e os Certificados de Aforro. Ao subscreveres qualquer um destes produtos, estás a emprestar dinheiro ao Estado português em troca de juros, com garantia soberana.
Antes de continuares: na nossa página de Educação Financeira tens a FAQ "o que é a Euribor e como funciona" para perceberes como as taxas mudam e como isso afeta o teu rendimento.
CTPV: Certificado do Tesouro Poupança Valor
Deixas uma quantia fixa durante 5 anos e o Estado paga-te juros todos os anos para o teu banco. A taxa que vais receber varia um pouco de ano para ano consoante o que estiver a acontecer com as taxas de juro na Europa, mas o teu capital está sempre garantido na totalidade.
- Prazo: 5 anos (resgate possível após os primeiros 6 meses)
- Taxa: Euribor a 12 meses + margem definida pelo IGCP, atualizada anualmente
- Juros: pagos anualmente, já líquidos de IRS (28% retido na fonte)
- Subscrição: AforroNet, CTT ou Portal das Finanças
- Mínimo: €1.000 por subscrição
- Máximo: €250.000 por titular
- Liquidez: D+3 após o pedido de resgate (após 6 meses do início)
A taxa exata e a margem em vigor são publicadas mensalmente. Confirma sempre em AforroNet ou igcp.pt antes de subscrever.
CA: Certificados de Aforro (Série E)
Poupança sem prazo definido. Os juros entram na conta todos os meses e ficam lá a render automaticamente, como um depósito que capitaliza mensalmente. Podes retirar o dinheiro a qualquer altura depois dos primeiros 3 meses. É o mais flexível dos três produtos.
- Prazo: Indeterminado (sem prazo fixo)
- Taxa: Euribor a 3 meses + margem definida pelo IGCP
- Juros: creditados mensalmente (com capitalização automática)
- Subscrição: AforroNet, CTT ou Portal das Finanças
- Mínimo: €100
- Máximo: €250.000 por titular
- Liquidez: D+3 após 3 meses da subscrição
- Tributação: 28% retido na fonte sobre os juros mensais
A desvantagem face ao CTPV é que a Euribor a 3 meses é mais sensível a cortes do Banco Central Europeu. Se as taxas europeias descerem, o rendimento dos CA cai mais depressa do que o do CTPV.
CTPC: Certificado do Tesouro Poupança Crescimento
Produto antigo, já não aceita novos subscritores desde setembro de 2021. Se subscreveste antes dessa data, os juros chegam uma vez por ano durante 7 anos no total, com um valor que vai crescendo gradualmente. No fim dos 7 anos, o capital volta para a tua conta.
- Prazo: 7 anos
- Taxas base: 0,75% (ano 1) a 2,25% (ano 7), crescentes
- Prémio: 0,850% (março 2026, indexado ao crescimento do PIB)
- Juros: anuais, não capitalizam
- Novas subscrições: suspensas desde 10/09/2021
- Resgate: possível após 1 ano (liquidação típica em D+3)
- Gestão: posições ativas disponíveis em AforroNet
- Vencimento: reembolso automático do capital no fim dos 7 anos
Produto legado para quem já subscreveu. A decisão de manter ou resgatar deve comparar sempre a taxa líquida com alternativas de risco semelhante.
Só para residentes em Portugal
Todos os produtos do IGCP são exclusivos para particulares com residência fiscal em Portugal. Não está disponível a subscrição por não-residentes nem por empresas.
Como subscrever
CTPV e Certificados de Aforro (produtos em comercialização)
Cria conta no AforroNet ou acede ao Portal das Finanças
Acede a aforronet.igcp.pt com a tua Chave Móvel Digital ou Cartão de Cidadão. Alternativamente, podes subscrever nos balcões dos CTT ou pelo Portal das Finanças.
Escolhe o produto e confirma a taxa em vigor
Para o CTPV verifica a taxa Euribor 12M + margem aplicável à tua subscrição. Para os CA confirma a taxa Euribor 3M + margem. As taxas são publicadas mensalmente pelo IGCP. Mínimo €1.000 (CTPV) ou €100 (CA).
Confirma o IBAN de suporte
Mantém atualizado o IBAN da conta bancária de suporte. Os juros e resgates são creditados nessa conta.
Acompanha e gere em AforroNet
Todos os teus produtos do IGCP (CTPV, CA e CTPC existentes) ficam visíveis em AforroNet. Podes pedir resgate parcial ou total a qualquer momento após o período mínimo (6 meses no CTPV, 3 meses nos CA). Liquidação típica em D+3.
Tributação dos Certificados do Tesouro
Os juros dos Certificados do Tesouro são sujeitos a retenção na fonte de 28% no momento do pagamento. Esta taxa é liberatória, o que significa que o imposto é descontado automaticamente pelo Estado antes de o dinheiro chegar à tua conta. Não tens de fazer nada nem declarar esses rendimentos no IRS, a menos que optes pelo englobamento (ver FAQ abaixo).
CTPV vs CA vs Dep. a Prazo
Nota sobre taxas variáveis: o CTPV atualiza a taxa uma vez por ano, o que significa que quando subscribes ficas com a taxa desse momento durante 12 meses seguidos. Os CA atualizam a cada 3 meses, logo o rendimento reage mais rapidamente tanto a subidas como a descidas de taxas europeias.
Conclusão prática: para quem quer capital garantido e um horizonte de 5 anos, o CTPV é o produto de referência. Os CA são preferíveis quando queres maior liquidez (resgate após 3 meses) e capitalização automática dos juros mensais.
CTPC (gerir posições existentes)
Confirma se tens CTPC ativos
Acede ao AforroNet para consultar posições existentes. Os CTPC estão suspensos para novas subscrições desde 10/09/2021.
Acompanha o prémio anual e planeia o resgate
O prémio de remuneração é publicado mensalmente pelo IGCP. Para março 2026 está em 0,850%. Podes resgatar após 1 ano (D+3). No vencimento dos 7 anos o capital é reembolsado automaticamente para o teu IBAN.
Como funcionam os CTPC
Os CTPC são uma poupança para 7 anos. Todos os anos recebes juros na conta e esses juros tendem a subir ao longo do tempo. A partir do 2.º ano pode juntar-se um extra chamado prémio. Isto ajuda-te a decidir se vale a pena manter ou comparar com outras opções.
- Antes de imposto: percentagem de juros que o produto paga nesse ano.
- Depois de imposto: o que te sobra após IRS de 28%.
Estrutura de taxas CTPC (base oficial + prémio desde o 2.º ano)
A coluna "Nível (visual)" é só um guia rápido: barra maior = taxa desse ano mais alta.
Perguntas Frequentes
As dúvidas mais comuns sobre os Certificados do Tesouro, respondidas com rigor.
São três produtos de poupança do Estado português, com objetivos e regras diferentes.
CTPV (produto ativo): subscreves hoje, deixas o dinheiro 5 anos, recebes juros todos os anos. A taxa varia com as condições económicas europeias (Euribor a 12 meses), mas é atualizada apenas uma vez por ano, por isso é relativamente previsível. CTPC (produto legado): está suspenso para novas subscrições desde 2021. Se já tens, funciona de forma semelhante mas com prazo de 7 anos e taxas base fixas crescentes ano a ano.
Certificados de Aforro (CA): sem prazo fixo, juros todos os meses com capitalização automática, e podes retirar o dinheiro passados apenas 3 meses. A taxa também varia com as condições europeias, mas atualiza a cada 3 meses, logo reage mais depressa a subidas e descidas.
Resumindo: CTPV para quem quer guardar dinheiro durante 5 anos com alguma previsibilidade, CA para quem quer flexibilidade e capitalização mensal automática.
Não. Os CTPC têm um prazo mínimo obrigatório de 1 ano antes de qualquer resgate ser possível. Durante o primeiro ano, o capital fica completamente imobilizado.
A partir do primeiro aniversário da subscrição, podes resgatar em qualquer momento, recebendo os juros correspondentes ao número de anos completos decorridos. O prazo de liquidação após o pedido de resgate é D+3 dias úteis.
Atenção: por esta razão, os CTPC não são adequados como fundo de emergência imediato. Se podes precisar do dinheiro em menos de 12 meses, usa um depósito a prazo com liquidez ou uma conta poupança.
No vencimento (ao fim de 7 anos), o IGCP reembolsa automaticamente o capital nominal para o teu IBAN. Os juros são pagos anualmente ao longo da vida do produto, já com a retenção de IRS aplicável.
Não existe renovação automática. Se quiseres manter exposição a Certificados do Tesouro, tens de subscrever o produto que estiver em comercialização nessa data.
Conselho prático: acompanha no final de cada mês a publicação do prémio de remuneração dos CTPC no IGCP para antecipares o rendimento líquido anual.
Nos CTPC, os juros são pagos anualmente para o teu IBAN, líquidos de IRS à taxa em vigor. Não há capitalização automática dentro do produto.
Se quiseres efeito de juro composto, tens de reinvestir manualmente os juros recebidos noutra aplicação. A vantagem é teres liquidez anual dos rendimentos; a desvantagem é o retorno total depender das tuas decisões de reinvestimento.
Se preferires receber rendimentos regulares sem te preocupares com reinvestimento, os Certificados de Aforro são mais adequados, pois creditam juros mensalmente e reinvestem-nos automaticamente.
Pode valer a pena, mas depende inteiramente do teu rendimento total no ano do resgate. A lógica é simples: se a tua taxa marginal de IRS for inferior a 28%, o englobamento poupa-te dinheiro; se for superior, pagas mais.
Para saberes qual é a tua taxa marginal, consulta a tabela de escalões de IRS em vigor para o ano fiscal em causa no Portal das Finanças. Os escalões são atualizados anualmente com o Orçamento de Estado.
Exemplo: recebeste €1.485 de juros brutos acumulados ao longo de vários anos. Com taxa liberatória pagas €416 de imposto. Se a tua taxa marginal for 23%, englobando pagarias menos; se for superior a 28%, pagarias mais.
Atenção: o englobamento é tudo ou nada: ao optar por englobar os juros dos CT, tens de englobar todos os rendimentos de capitais do mesmo ano, incluindo dividendos de ETF e outros juros. Simula sempre os dois cenários antes de decidir.
O CTPV (Certificado do Tesouro Poupança Valor) é o produto de Certificados do Tesouro atualmente em comercialização pelo IGCP. Substituiu o CTPC (suspenso desde 2021) como a opção de prazo fixo dos produtos de aforro do Estado.
Como funciona: tem um prazo de 5 anos. A taxa de remuneração segue a Euribor a 12 meses (a taxa de referência dos bancos europeus) acrescida de uma margem definida anualmente pelo IGCP. Na prática, isso significa que o juro que vais receber pode mudar de ano para ano consoante o que acontecer na economia europeia, mas é atualizado apenas uma vez por ano, o que dá alguma previsibilidade. Os juros são pagos anualmente para o teu IBAN, já com a retenção de 28%. O capital é garantido pelo Estado.
Liquidez: podes resgatar após os primeiros 6 meses da subscrição, ao contrário do CTPC que imobilizava o capital durante 1 ano.
Para subscrever: acede ao AforroNet, aos balcões dos CTT ou ao Portal das Finanças. Confirma sempre a taxa em vigor antes de subscrever, pois varia.
Os Certificados de Aforro (CA) são o produto mais líquido do IGCP: sem prazo fixo, juros mensais com capitalização automática e resgate possível depois de apenas 3 meses. A taxa segue a Euribor a 3 meses, o que significa que muda quatro vezes por ano.
Vantagens face ao CTPV: capitalização mensal dos juros (efeito de juro composto automático), maior liquidez, mínimo de €100 em vez de €1.000 e sem prazo fixo.
Desvantagem face ao CTPV: a taxa atualiza a cada 3 meses. Em períodos de descida de taxas pelo Banco Central Europeu, o CA perde rendimento mais depressa do que o CTPV, que "bloqueia" a taxa por 12 meses.
Regra prática: para o fundo de emergência alargado, os CA são a melhor opção do IGCP: maior liquidez e capitalização mensal. Para poupança programada a 5 anos que não vás precisar, o CTPV oferece mais previsibilidade de rendimento ano a ano.
Depende do prazo que estás a considerar. Para comparações justas, usa sempre a taxa líquida (após imposto de 28%) e o mesmo horizonte temporal.
Para titulares de CTPC, a comparação deve considerar a tua taxa anual efetiva (base + prémio do ano) e o facto de os juros serem pagos anualmente. Em alguns períodos, depósitos promocionais podem superar a taxa anual dos CTPC.
Como os CTPC estão fechados a novas subscrições, esta comparação é sobretudo útil para decisões de manter ou resgatar, não para novas entradas.
Regra prática: compara sempre em base líquida (após IRS), no mesmo prazo, e com o mesmo nível de liquidez e risco.